"O Primeiro Dia" é a versão longa, editada para cinema, de "Meia-Noite", o filme realizado por Daniela Thomas e Walter Salles para a série "2000 visto por".
Esta série foi criada pela rede de televisão cultural francesa Arte e pela produtora Haut et Court. A Arte, uma importante fomentadora do cinema independente mundial, convidou jovens realizadores de 10 países (Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, EUA, Espanha, França, Hungria, Mali, Taiwan) para produzirem filmes que  dessem visões diferentes da virada do século.
Todos os filmes da série deveriam conter uma idéia do que seria a noite do dia 31 de dezembro de 1999.
Além disto, as produções tiveram em comum a liberdade de criação e os orçamentos reduzidos de produção.
"O Primeiro Dia" dá continuidade a uma forma de realização cinematográfica iniciada com "Terra Estrangeira", primeira parceria de Walter Salles e Daniela Thomas, de 1995, a produção teve como característica o mesmo dinamismo e um enorme prazer da pequena equipe em filmar.

"O Primeiro Dia" é o resultado de uma forma coletiva de se fazer cinema. Foi rodado em três semanas por uma equipe reduzida. Além de dois diretores e quatro roteiristas, grande parte da equipe teve participação autoral no projeto. Os diálogos finais, por exemplo, são o fruto do processo de improvisação em ensaios com atores.
Alguns exemplos desta participação: as falas de Matheus Nachtergaele foram quase todas recriadas por Cida Alves (do Chapéu Mangueira) e o próprio Matheus, em longas conversas na favela. A cena da farmácia foi inteiramente escrita por Fernanda Torres. A seqüência em que o personagem de Nelson Sargento canta um samba foi sugerida pelo próprio Nelson. E, finalmente, a movimentação dos atores no telhado foi concebida e ensaiada pelos próprios Luis Carlos e Fernanda, nas poucas horas que antecederam o réveillon,  filmado em tempo real.

Há no filme um sentido de urgência que move os personagens e que de certa forma ecoa o seu processo de realização. Equipe pequena, filmagens em tempo real, equipamento leve, sem gruas, uso praticamente exclusivo da câmera na mão (a levíssima Aaton 35mm, que se tornou sonora graças a cobertores que a embrulhavam) e o ensaio prévio das cenas trouxeram uma grande agilidade às filmagens.

Os  maiores estímulos para o desenvolvimento do roteiro de “O Primeiro Dia” vieram das idéias de Jurandir Freire Costa, expressas em artigos publicados na imprensa, e do livro “Cidade Partida”, de Zuenir Ventura. O filme tenta ecoar os conceitos que eles desenvolveram sobre a nossa incapacidade de lidar com a idéia do outro, e a cisão social que resulta deste estado de coisas.

O Credicard é o patrocinador exclusivo do projeto "O Primeiro Dia". Junto com "Central do Brasil", a série "Futebol" e "Lavoura Arcaica", este é mais um projeto da Videofilmes que só se tornou possível graças a este patrocínio cultural. 


O Primeiro Dia" foi um filme desenvolvido em família, com a ajuda de grandes parceiros e amigos que vêm colaborando em vários outros projetos
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Walter Carvalho, parceiro de "Terra Estrangeira" e de "Central do Brasil", corporificou o desejo dos diretores de realizar um filme urgente, nervoso. Carvalho imprimiu ao filme uma fotografia dramática, carregada, de alto contraste.

Antonio Pinto, que com Jaques Morelenbaum compôs a trilha de "Central do Brasil", aqui criou (junto com Eduardo Bid e Naná Vasconcellos) melodias comoventes que serviram de inspiração para os ensaios do filme.

Carla Caffé, que com Cássio Amarante assinou a direção de arte de "Central do Brasil", parceira de Daniela Thomas em vários trabalhos de teatro e ópera. Fez uma direção de arte que procurou colar constantemente à realidade.

Sergio Machado, diretor de casting de "Central do Brasil", realizou aqui uma intensa pesquisa para incorporar ao filme novos talentos, além de uma figuração inteiramente composta por não profissionais.

A Riofilme, assim como "Terra Estrangeira" e "Central do Brasil" participou como co-produtora.


Esse projeto foi incentivado através da lei do Audiovisual do Ministério da Cultura.

A exceção mais notável aos velhos parceiros é a colaboração do músico Naná Vasconcellos, que trouxe ao filme climas e sons excepcionais.